Lampejo: a escola popular que ilumina as estratégias de quem defende a democracia
#eleições #inteligência artificial #violência de gênero #violência políticaO Lampejo, fruto da articulação entre Coding Rights, Rede Transfeminista de Cuidados Digitais, Olabi e MariaLab, é um projeto ambicioso que responde ao contexto de inteligência artificial e eleições: leva oficinas gratuitas de tecnopolítica, comunicação, cuidados digitais e futuros transfeministas a onze cidades do Brasil, entre junho e outubro de 2026, com a meta de alcançar 1.400 pessoas que estão linha de frente da defesa da democracia e dos direitos humanos.
Você abre o celular de manhã e o primeiro vídeo do feed é de uma celebridade dizendo algo que nunca disse. Mais abaixo, uma mensagem repassada mil vezes espalha uma mentira sobre as urnas. No grupo da família, alguém compartilha um áudio que parece real, mas não é. E uma amiga que se candidatou pela primeira vez acorda com o número de telefone vazado, o rosto montado em imagens que não são dela e uma enxurrada de mensagens violentas. Em 2026, é assim que a disputa eleitoral chega até a gente: pela tela, em tempo real, acelerada por uma inteligência artificial que hoje está nas mãos de qualquer pessoa.
É para se preparar para esse momento que surge o Lampejo, uma escola popular de tecnopolítica, comunicação e cuidados digitais. Cada oficina, um lampejo: passa rápido, ilumina as estratégias e abre caminhos.
O Lampejo parte de uma aposta: este momento não é só de risco, é também de oportunidade. A de pensar a comunicação de forma estratégica e se apropriar das tecnologias como ferramentas de luta e de construção de poder coletivo. A escola não parte do zero: é uma resposta coletiva que soma os acúmulos das organizações em facilitação e pesquisa à riqueza e criatividade que já existem nas estratégias do nosso campo.
Inspirada na educação popular, a escola instiga trocas de conhecimentos e ações. Cada oficina tem até seis horas, reúne um grupo de pelo menos 20 pessoas e é desenhada com conteúdos específicos para cada realidade.
A escola trabalha com quatro percursos
• Compreender e agir diante das táticas de desinformação e ódio
• Preparar e proteger pessoas, dados e coletivos com cuidados digitais feministas e antirracistas
• Mitigar e apoiar em casos de ataques digitais
• Construir futuros transfeministas no espaço digital
As oficinas chegam a onze cidades do Brasil entre junho e outubro: Salvador (BA), Recife (PE), Belém (PA), Fortaleza (CE), Parnaíba (PI), São Luís (MA), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS). Iniciado por quatro organizações, o Lampejo se multiplica em rede: para chegar de forma enraizada a cada território, soma organizações parceiras locais, que já conhecem de perto as realidades onde a escola atua, e 23 pessoas facilitadoras formadas para atuar em campo.
O cuidado vai além das oficinas.
O Lampejo articula outras frentes para o ciclo eleitoral. Uma é a Maria d’Ajuda, linha de atenção e acompanhamento feminista que responde a incidentes e emergências em segurança digital, operada pela MariaLab. Outra é o Deflect, uma camada de proteção que mantém sites no ar mesmo sob ataque, operado pelo eQualitie e gratuito para organizações elegíveis.
“A ideia é a gente entender melhor o território da internet, os desafios de um cenário eleitoral habilitado pela IA, que por um lado amplia a desinformação e a violência política de gênero e por outro também traz oportunidades.”
Joana Varon, diretora executiva da Coding Rights
As oficinas são gratuitas e podem ser pedidas por movimentos sociais, organizações defensoras de direitos humanos, candidaturas e mandatos, jornalistas e pessoas comunicadoras, pessoas observadoras eleitorais e pela comunidade acadêmica. Quem quer levar um lampejo para o seu coletivo ou organização pode solicitar em lampejo.digital. No site você pode acessar a Biblioteca do Lampejo, que está cheia de materiais sobre comunicação e cuidados digitais para usar, adaptar e compartilhar. Venha conhecer e somar.
Sobre o Lampejo
O Lampejo é uma escola popular de tecnopolítica, comunicação e cuidados digitais, fruto da articulação entre Coding Rights, que coordena a iniciativa, Rede Transfeminista de Cuidados Digitais, Olabi e MariaLab, organizações que atuam na intersecção entre tecnologia, gênero, raça e direitos humanos. Inspirado na educação popular e em uma perspectiva transfeminista e antirracista, leva oficinas gratuitas a onze cidades do Brasil ao longo do ciclo eleitoral de 2026, contando com crescentes parcerias locais. Saiba mais em https://lampejo.digital.
Em redes somos fortes.
