Nota pública: O REDATA não deve avançar.
Sociedade civil, grupos de pesquisa e lideranças comunitárias rejeitam o REDATA e alertam contra a criação de política de incentivos fiscais antes que o Brasil estabeleça salvaguardas adequadas para os territórios, os recursos naturais e a soberania brasileira.
Organizações, movimentos, pesquisadores e entidades assinam nota pública que se opõem ao REDATA (PL 278/2026), que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center, e expressam profunda preocupação com a possibilidade de sua votação já na primeira semana de setembro.
“Entendemos que o Brasil precisa, sim, construir políticas públicas sérias para orientar o desenvolvimento do setor digital. No entanto, rejeitamos que esse movimento comece pela entrega de benefícios fiscais e privilégios tributários para acelerar a expansão das Big Techs e outras grandes empresas do setor antes mesmo que o país estabeleça diretrizes adequadas para planejamento territorial, salvaguardas socioambientais e contrapartidas capazes de proteger seus recursos naturais e interesses estratégicos.
Desde que o projeto foi aprovado às pressas pela Câmara e encaminhado ao Senado, as negociações vêm avançando sem que a sociedade tenha acesso às alterações em discussão, assim como espaço efetivo de diálogo e participação. Ao mesmo tempo, acompanhamos uma intensa articulação política e econômica para acelerar e viabilizar sua aprovação a qualquer custo, sem o devido debate público e democrático.”
A oposição ao REDATA vem acompanhada de outra exigência fundamental: acordos políticos pautados pela pressão econômica e pela narrativa de que o Brasil não pode “perder essa oportunidade” não podem justificar negociações a portas fechadas nem sob uma lógica de urgência legislativa ou vendidas como um “cheque em branco” ao setor privado.
“O debate sobre os impactos dos data centers não começa agora. Sociedade civil, universidades públicas e particulares, centros de pesquisa, especialistas, comunidades e instituições públicas vêm apresentando evidências concretas sobre os severos impactos ambientais, energéticos, hídricos, territoriais, além do risco de aprofundamento da dependência tecnológica do Brasil em relação a atores estrangeiros.”