“La imaginación en disputa”: primeiro capítulo do “Compost Engineers y sus saberes lentos” sai em espanhol
#Colonialismo Digital #feminismos #futuros especulativos #inteligência artificialO primeiro capítulo de “Compost Engineers y sus saberes lentos”, pesquisa de Joana Varon e Lucía Egaña Rojas, foi publicado em espanhol na Revista 404, do Centro de Cultura Digital, no México.
O texto se chama “La imaginación en disputa” e parte de uma pergunta que atravessa toda a pesquisa: quais imaginários inspiram o desenvolvimento da inteligência artificial?
A resposta não está nos laboratórios, mas nas narrativas. Desde as primeiras revistas de ficção científica, nos anos 1920 e 1930, o progresso científico foi celebrado por histórias de expansão espacial que reproduziam as dinâmicas do colonialismo e do imperialismo ocidental. Dali para as indústrias de imaginário do Vale do Silício e de Hollywood, essas narrativas exportaram para o planeta inteiro uma visão maquínica de futuro: tempo acelerado, pele metálica e brilho de tela como símbolos de progresso, eficiência e domínio sobre a natureza.
O artigo faz esse percurso histórico para sustentar um ponto que costuma passar batido no debate sobre IA: nem a literatura nem a tecnologia são fenômenos sociais neutros. Os sistemas de inteligência artificial bebem de uma fonte narrativa específica, e essa fonte carrega ideologias coloniais que moldam o que se considera possível, desejável e inevitável.
Se a imaginação está em disputa, ela também pode ser reivindicada. É desse gesto que trata a pesquisa: contra a monocultura epistêmica que confunde futuro com aceleração, “Compost Engineers y sus saberes lentos” propõe a reconexão com a terra e com tecnologias ancestrais que sejam regenerativas para nossos territórios, os saberes lentos que o vocabulário da “IA” deixa de fora.
A versão em inglês do texto foi publicada em 2024 como projeto semente da Feminist AI Research Network f<A+i>r . Já em 2025, uma versão resumida foi publicada na Branch Magazine, da Climate Action Tech.