Coding Rights na COP30 e Cúpula dos Povos: Tecnologia, feminismo e justiça socioambiental em Belém
A Coding Rights esteve na COP30 e a Cúpula dos Povos, em Belém, com uma agenda que conectou a intersecção entre justiça socioambiental, feminismo e tecnologia. As atividades questionaram narrativas hegemônicas sobre soluções tecnológicas para a crise climática e evidenciaram os impactos muitas vezes invisibilizados das infraestruturas digitais.
Enquanto big techs e corporações vendem a inteligência artificial e outras tecnologias como salvadoras do planeta, pouco se discute sobre o custo socioambiental dessas infraestruturas. Data centers consomem quantidades astronômicas de energia e água, a materialidade da internet produz montanhas de lixo eletrônico, e o extrativismo mineral em territórios do Sul Global – que busca metais raros para dispositivos eletrônicos – devasta comunidades inteiras e seus territórios. A Coding Rights esteve na COP30 justamente para trazer essas contradições à tona.
A agenda da Coding na COP 30
Domingo, 09/11 | 18h – Casa do Jornalismo Socioambiental
A jornada começou com a Oficina do Mapa dos Territórios da Internet, em parceria com o InfoAmazonia, na Casa Carmina. Esta atividade propôs visualizar a materialidade da internet – seus cabos, servidores e infraestruturas – e como essas tecnologias se entrelaçam (ou colidem) com os territórios.
Segunda, 10/11 | 18h – Casa Ninja Amazônia
O lançamento da plataforma Futuros Positivos , uma iniciativa que conecta saberes ancestrais, experiências periféricas e produção acadêmica para inspirar novas formas de viver e agir diante das crises do nosso tempo. Representantes de movimentos sociais, pesquisadores, comunicadores e ativistas do Brasil e do mundo apresentaram seus projetos dialogando com justiça climática, transição ecológica, os territórios e com a Amazônia.
A atividade, organizada com a Fundação Heinrich Böll e Mídia Ninja, convidou o público a sonhar futuros tecnológicos mais justos e emancipatórios. A Coding levou as discussões do podcast IMAGINE e apresentou o Oráculo para Tecnologias Transfeministas como ferramenta para essa construção coletiva de outros futuros possíveis.
Quarta, 12/11 | 14h – Casa Libra
Na parceria com o IDEC, a Coding apresentou discussões do projeto TRAMAS – tecnologias, tramas e territórios, focando nos Impactos Socioambientais das Infraestruturas Digitais dos Data Centers e IA.
O debate sobre os impactos climáticos dos data centers e da IA ganhou urgência, essas tecnologias têm pegada de carbono, consomem recursos naturais e afetam diretamente a vida nos territórios.
A agenda da Coding na Cúpula dos Povos
Sexta, 14/11 | 14h30 – Cúpula dos Povos
A participação na Cúpula dos Povos representou um emocionante momento da agenda, pela magnitude e cuidado nas atividades.
Estivemos na atividade do Eixo VI (Feminismo popular e resistências das mulheres nos territórios), onde a Coding integrou uma ampla articulação de organizações para discutir Transição ou Transação Energética?
O debate expôs como big techs impõem falsas narrativas sobre sustentabilidade enquanto violam direitos, com impactos graves sobre a vida de mulheres e comunidades tradicionais.
Ainda na sexta, no Eixo II (Reparação histórica, combate ao racismo ambiental), a atividade A armadilha dos tecnosolucionismos para a questão climática reuniu organizações internacionais e brasileiras para desmascarar como soluções tecnológicas apresentadas como “verdes” frequentemente perpetuam injustiças e não enfrentam as raízes estruturais da crise climática.
Enquanto a COP30 oficial reuniu governos e corporações em negociações muitas vezes opacas, a Cúpula dos Povos se apresentou como espaço de resistência e proposição desde os territórios. Esse espaço reafirmou que as soluções reais para a crise climática não virão de cima, de tecnologias vendidas por bilionários, mas de processos coletivos, democráticos e enraizados nas necessidades e saberes dos povos.
As articulações construídas com organizações como Democracia em Xeque, Filha do Sol, Instituto Terramar, SOS Corpo, ETC Group, Hands Off Mother Earth (HOME) Alliance, Lapin, Instituto Nupef e Green Screen Coalition demonstraram a potência do trabalho em rede e da construção de pontes entre diferentes lutas.
O que vivemos em Belém representou um convite para repensarmos coletivamente o lugar das tecnologias nas nossas imaginações de futuro. Que futuros são possíveis quando centralizamos justiça, cuidado e autonomia em vez de lucro e acumulação? Como as tecnologias podem servir à transição ecológica sem reproduzir padrões coloniais e patriarcais?
Essas discussões inspiram reflexões sobre como consumimos tecnologia, como imaginamos soluções para a crise climática e como nos posicionamos diante das narrativas corporativas que dominam esses debates.